Live Primavera de Ex-Libris

Está disponível no canal do Youtube da Caçadora de Ex-Libris a Live SISTEMA DE ARMAZENAMENTO E RECONHECIMENTO DE MARCAS DE PROVENIÊNCIA EM ACERVOS BIBLIOGRÁFICOS:

Apresentação do Projeto de Pesquisa em Proveniência e das ações do GEPIM/FURG

No dia 17 de setembro, quinta-feira, a partir das 18 h, estaremos participando de uma live com a Caçadora de Ex-Libris.

Apresentaremos o projeto “SISTEMA DE ARMAZENAMENTO E RECONHECIMENTO DE MARCAS DE PROVENIÊNCIA EM ACERVOS BIBLIOGRÁFICOS”. Apresentadores: Marcia Rodrigues, Alissa Vian e Eduardo Borges.

Vai perder? Anote na agenda!⠀

Acesse o canal do Youtube da Caçadora de Ex-Libris, em: https://www.youtube.com/watch?v=IKcDSQ7GaMc

Sobre proveniência bibliográfica

A proveniência dos acervos bibliográficos é, muitas vezes, negligenciada e, frequentemente, ignorada pelas bibliotecas. Excetuando-se algumas bibliotecas que dispõem de acervos antigos e/ou raros, em geral, esse tipo de informação não é anotado em nenhuma área do registro. No entanto, conhecer a origem dos materiais que compõem os seus acervos pode impactar significativamente o valor cultural, intelectual e histórico de uma determinada obra e/ou coleção.

No campo das Artes, a qualidade da proveniência de uma obra de arte pode fazer uma diferença considerável no seu valor artístico e cultural. Essa qualidade é julgada pelo grau de certeza da origem, pelo status do antigo proprietário enquanto colecionador e pela força das evidências comprobatórias de que tal objeto não é fruto de exploração ilegal . (PROVENANCE, 2020).

A partir do seu desenvolvimento no campo das Artes, a proveniência e a pesquisa de proveniência passaram a ser utilizadas em outros campos do saber, como a Arqueologia, a Arquivologia, a Ciência da Computação e a Biblioteconomia, entre outros, com sentidos semelhantes.

Na Biblioteconomia, os estudos relativos a proveniência, ou procedência, estão relacionados, em geral, à propriedade de exemplares individuais de livros. Da mesma forma, esse tipo de pesquisa está, em geral, associado a um tipo particular de material bibliográfico: o livro raro e/ou antigo.

De maneira simplificada, podemos dizer que a proveniência de uma obra pode ser entendida, portanto, como a história de sua posse e uso, em geral associada a pessoas físicas (colecionadores, proprietários particulares) ou jurídicas (bibliotecas e instituições). 

Referências:

BERMAN, A. Why it matters who owns Arts? In: THE IRIS: behind the scenes at the Getty. Arts & Archive. 2020.

MIRANDA, T. C. P. R. Decifra-me ou devoro-te! O universo das proveniências e suas leituras. In: MARCAS DE PROVENIÊNCIA BIBLIOGRÁFICAS: LOCALIZAR, CLASSIFICAR E DESCREVER, Mafra, 2016. [S.l. : s.n.], 2017. 1 vídeo (39 min.). Publicado pelo canal CIDEHUS.

PROVENANCE. In: WIKIPEDIA: the free encyclopedia. 2020.

 

Pesquisa de proveniência

Pesquisar evidências relativas à proveniência de uma obra/coleção bibliográfica contribui para elucidar a maneira como estes materiais foram usados ao longo da história: como foram lidos, quem foram seus leitores, como se deu a sua circulação enquanto bens de consumo.

Tais evidências, conhecidas como marcas de proveniência, podem mudar os rumos da história, dependendo de seu conteúdo e teor.

O estudo destas marcas possibilita conhecer preferências e modismos que, historicamente, influenciaram bibliotecas e coleções. (LEUNG, 2016). Os estudos de proveniência colaboram, portanto, com os estudos sobre a história do livro, fornecendo evidências sobre o papel que determinados títulos desempenharam na história social, intelectual e literária da humanidade. (PROVENANCE, 2020).

Ainda a respeito da importância dos estudos de proveniência, Poulain (2015, p. 176, trad. nossa), observa o seguinte:

As informações de proveniência são essenciais para entender as coleções da biblioteca. […] No entanto, apesar da preocupação dos responsáveis pelos fundos patrimoniais, infelizmente não é incomum as bibliotecas ignorarem como essa coleção, esse documento, chegou a ela. Como entender essa negligência, enquanto as informações a serem registradas no momento da transmissão são mínimas? Analisadas, elas formam a base da história das coleções e do vínculo da biblioteca com seu tecido social. […] Perdendo a memória da origem dos textos, também se perde a dos homens que a ela se apegam.

Josserand (2016), destaca, ainda, três aspectos sob os quais as informações de proveniência podem ser considerados úteis e relevantes:

a) sob o ponto de vista administrativo, a proveniência fornece informações sobre o status dos documentos que compõem a coleção (informações como modo de aquisição, pessoas e/ou entidades envolvidas neste processo, etc.);

b) sob o ponto de vista da pesquisa, a proveniência é uma ferramenta para múltiplas reflexões, que abre um leque extenso de possibilidades a pesquisadores das mais diversas áreas do conhecimento;

c) sob o ponto de vista das coleções, a proveniência contribui tanto para o conhecimento da história das bibliotecas, podendo ser utilizada como recurso para a promoção destas ao público, como também traz informações de interesse para a proteção e a segurança das coleções.

Em relação à operacionalização da pesquisa de proveniência, observa-se que esta lida com dois tipos básicos de evidências:

1) as evidências internas, nas quais encontram-se incluídas as marcas, inscrições, encadernações, carimbos, selos etc., ou seja, componentes físicos do exemplar;

2) as evidências externas, como os repertórios bibliográficos, catálogos de editores, livreiros, bibliotecas, revendedores e casas de leilão. Estas fontes são importantes para estudos sobre redes e circulação de conhecimento, possibilitando descobrir quem comprou qual livro, quem vendeu qual livro, que livros um pesquisador poderia adquirir na época de publicação do catálogo, quais eram os livros mais vendidos/procurados, entre outras informações. Na pesquisa por evidências externas, observam-se, especialmente, elementos que documentam os locais e condições de fabricação dos exemplares, condições de negociação, proprietários e coleções. (REED, 2010; MUHLSCHLEGEL, 2019).

Referências:

JOSSERAND, C. Les données de provenance des collections des bibliothéques. Mémoire d’étude, janvier 2016. 

LEUNG, C. The journey of books: rare books and manuscripts provenance metadata in a digital age. 2016. Dissertação (Master of Arts in Humanities Computing and Master of Library and Information Studies) – University of Alberta, School of Library and Information Studies, Edmonton, Canadá, 2016. 

MUHLSCHLEGEL, U. Antiquariatskataloge, Auktionskataloge und bibliographische Zeitschriften. In: FACHINFORMATIONSDIENST LATEINAMERIKA, KARIBIK UND LATINO STUDIES. Blog. 2019.

POULAIN, M. De mémoire de livres : des livres spoliés durant la Seconde Guerre mondiale déposés dans les bibliothèques : une histoire à connaître et à honorer. Bulletin des bibliothèques de France,  n. 4, janvier 2015. 

PROVENANCE. In: WIKIPEDIA: the free encyclopedia. 2020.

REED, M. Provenance of rare books. In: BATES, M. J. (Coord.). Encyclopedia of library and information sciences. Boca Raton, FL: CRC Press, 2020. V. 6, Pacific-Sociology, p. 4333-4339.