Retrospectiva 2021… e o desejo de um 2022 incrível!

Final de ano chegando, momento de refletir sobre o que passou, de rever as metas propostas no início do ano e de planejar o futuro.

2021 foi um ano de desafios, tanto por conta da pandemia de Covid-19, que não acabou, como também pelas adversidades nos campos político, econômico, social e cultural pelas quais vem passando nosso país. Somem-se a isso pequenos percalços e dificuldades que ocorrem no caminho de qualquer pesquisador, tais como problemas técnicos (manutenção de servidor, falhas na Internet etc.) e humanos… Passamos por situações embaraçosas, decorrentes da má conduta de pesquisadores da área: provocações em lives e eventos on-line; comentários difamatórios e sem fundamento sobre o nosso trabalho em redes sociais; não recebimento de links para participação em eventos da área, nos quais alguns de nossos pesquisadores estavam inscritos; a eliminação de comentários realizados por nosso pesquisadores e/ou bolsistas em chats de eventos on-line e redes sociais; a tentativa de apagamento das nossas ações, como quando recebermos a notícia, por e-mail, de que o site Proveniência Bibliográfica estava sendo retirado da lista de recursos on-line do Consortium of European Research Libraries – CERL, sob a alegação de que seria “prematuro listá-lo entre os outros recursos atualmente disponíveis para pesquisa de proveniência”.

Apesar dos contratempos, no balanço dos fatos, chegamos ao final desse ano com mais coisas a agradecer do que a lamentar. Buscamos realizar o nosso trabalho de forma honesta, ética, com os pés-no-chão e sem inflar os nossos egos. O reconhecimento de nosso trabalho é uma consequência, e esta sempre chega no momento certo. Enquanto grupo de pesquisa, estamos nos fortalecendo, ganhando experiência, ampliando o leque de nossas ações, aprendendo com as adversidades.

Elaboramos uma retrospectiva das principais ações realizadas pelo GEPIM no ano de 2021 e iremos apresentá-la aqui.

1) Publicamos o “Glossário Ilustrado de Marcas de Proveniência”, organizado e compilado pelas pesquisadoras Marcia Carvalho Rodrigues, Alissa Esperon Vian, Mariana Briese da Silva e Luise de Oliveira Rodrigues, sob a coordenação da primeira. O Glossário, inédito no Brasil, traz uma lista de termos (descritores e não descritores) que constituem o jargão específico da área da Proveniência no contexto da História do Livro, focalizando, especialmente, as evidências internas de proveniência, ou seja, diferentes tipos de marcas. Além dos descritores, o Glossário apresenta as suas definições, relações com outros termos, ilustrações que exemplificam as definições dadas e os seus equivalentes nos idiomas inglês, francês e espanhol. Por meio da Figura 1, é possível observar a estrutura de um descritor.

Figura 1 – Estrutura do descritor “Anotação”

2) Sob a curadoria de três bibliotecárias: Alissa Esperon Vian (pesquisadora do GEPIM-FURG), Juccia Nathiele (autora do @vidadebibliotecario) e Mary Komatsu (autora do canal @cacadora_de_exlibris) foi lançada, em março, a exposição virtual “Ex-líbris: olhares mas bibliotecas”.

3) Publicamos o e-book “Marcas de proveniência bibliográficas: um estudo sobre os ex-líbris” (Alissa Esperon Vian e Marcia Carvalho Rodrigues) e os artigos “Desenvolvimento de um sistema de armazenamento e reconhecimento de marcas de proveniência em acervos bibliográficos” (Marcia Carvalho Rodrigues, Alissa Esperon Vian, Heytor Diniz Teixeira, Eduardo Nunes Borges e Mateus Alves Prado), na revista portuguesa Páginas a&b; “Ex-líbris: um novo momento de apreciação” (Marcia Carvalho Rodrigues/GEPIM-FURG e Raphael Diego Greenhalgh/UnB), na revista Biblioo.

3) Participamos de lives no canal da Caçadora de Ex-líbris: Bate papo sobre o livro “Marcas de proveniência bibliográficas: um estudo sobre os ex-líbris” (Alissa Esperon Vian e Marcia Carvalho Rodrigues); Live de lançamento da exposição virtual “Ex-libris: olhares na biblioteca” (Alissa Esperon Vian/GEPIM-FURG, Juccia Nathiele e Mary Komatsu); Marcas de proveniência no acervo raro da Biblioteca Rio-Grandense: estudo sobre os ex-libris presentes nos livros publicados entre os séculos XVI, XVII e XVIII (Alissa Esperon Vian); Glossário Ilustrado de Marcas de Proveniência: trajetória e desafios (Marcia Carvalho Rodrigues, Alissa Esperon Vian, Mariana Briese da Silva e Luise de Oliveira Rodrigues).

4) Apresentamos trabalhos em eventos científicos da área: XIV Encontro Nacional de Acervo Raro (“O contexto regional como critério balizador de raridade bibliográfica”, apresentado por  Naillê de Moraes Garcia); XX Mostra da Produção Universitária da FURG (“Sistema de Armazenamento e Reconhecimento de Marcas de Proveniência”, apresentado por Mateus Alves Prado; “Glossário ilustrado de marcas de proveniência: uma necessidade emergente”, apresentado por Alissa Esperon Vian; “Glossário ilustrado: apresentando marcas de proveniência”, apresentado por Luise de Oliveira Rodrigues; “Marcas de propriedade: um estudo sobre os ex-líbris”, apresentado por Alissa Esperon Vian).

5) Participamos de eventos científicos da área, na qualidade de palestrantes: Semana Universitária da UNB: “Acervos raros e as universidades: possibilidades de ensino, pesquisa e extensão” (Marcia Carvalho Rodrigues); I Simpósio Gaúcho de Bibliotecas Públicas: “Critérios de identificação de obras raras” (Marcia Carvalho Rodrigues).

Somos muito gratos pelo ano de 2021, pelos aprendizados, parcerias, amizades e incentivos.

Desejamos um excelente final de ano a todos, com muitas alegrias junto a seus familiares e entes queridos.

Que em 2022 tenhamos muita saúde, paz, empatia e respeito uns pelos outros!

Glossário de Marcas de Proveniência

Os estudos de proveniência, no âmbito da Biblioteconomia, são relativamente recentes no Brasil. Geralmente associados a coleções especiais de obras raras, tais pesquisas envolvem, entre outras questões, a identificação e descrição de marcas ou indícios deixados nos livros por pessoas e/ou instituições que tiveram contato com o mesmo ao longo de sua história, tais como antigos proprietários, leitores, censores, bibliotecas e comerciantes. Desta forma, as marcas deixadas em um livro impresso ou manuscrito podem ter sido produzidas por diferentes pessoas, em diferentes contextos e circunstâncias, para cumprir diferentes propósitos.

Tendo em vista a ampla variedade de tipos de marcas de proveniência, bem como a escassez de recursos em língua portuguesa sobre o tema, propôs-se a elaboração de um glossário de tipos de marcas de proveniência, enriquecido com ilustrações.

O Glossário Ilustrado de Marcas de Proveniência foi organizado e compilado pelas pesquisadoras Marcia Carvalho Rodrigues, Alissa Esperon Vian, Mariana Briese da Silva e Luise de Oliveira Rodrigues, sob a coordenação da primeira. O projeto integra um conjunto de pesquisas sobre o tema da proveniência no âmbito da Biblioteconomia, as quais vem sendo realizadas desde 2019 pelo Grupo de Estudos e Pesquisas em informação e Memória – GEPIM, da Universidade Federal do Rio Grande (FURG).

A fase 1 da proposta, desenvolvida entre os meses de janeiro e junho de 2021, teve como metas identificar as fontes, selecionar os termos (corpus inicial) e dar início à criação dos registros.

A fase 2, que ocorre de julho de 2021 até agosto de 2022, tem como metas finalizar o registro dos dados, tornar o Glossário público (disponível para consulta na Internet) e ampliar o corpus inicial.

As duas primeiras metas da fase 2 foram concluídas e, em 22 de outubro de 2021, o Glossário foi disponibilizado ao público. A partir dessa data, o grupo prossegue trabalhando na ampliação do corpus inicial.

Para a construção do Glossário, utilizou-se o o software Tesauro Semântico Aplicado – THESA, de acesso aberto.

Clique aqui para conhecer e consultar o Glossário Ilustrado de Marcas de Proveniência.

Live “Marcas de proveniência no acervo raro da Biblioteca Rio-Grandense”

No dia 17 de junho, às 18h, a pesquisadora Alissa Vian apresentou a pesquisa “Marcas de Proveniência no Acervo Raro da Biblioteca Rio-Grandense: estudo sobre os ex-libris presentes nos livros publicados entre os séculos XVI, XVII e XVIII”, desenvolvida no ano de 2019.

A live ocorreu no Canal do YouTube Caçadora de Ex-Libris. Clique aqui para assistir.

Marcas de proveniência bibliográficas: um estudo sobre os ex-libris

Acaba de ser lançado o e-book de acesso aberto Marcas de proveniência bibliográficas: um estudo sobre os ex-libris, de autoria de Alissa Vian e Marcia Rodrigues, ambas pesquisadoras do GEPIM/FURG.

O livro está disponível para download no Repositório Institucional da FURG, no seguinte endereço: http://repositorio.furg.br/handle/1/9360.

CERL Online Provenance Resources

Com muita alegria informamos que o nosso Projeto de Pesquisa em Proveniência passou a compor a lista Online Provenance Resources, do Consourtium of European Research Libraries – CERL (Consórcio de Bibliotecas Europeias de Investigação). Trata-se do primeiro projeto brasileiro sobre o tema a integrar a lista de recursos.

O CERL é um consórcio de bibliotecas de pesquisa, localizadas, em sua maioria, na Europa, que busca facilitar o acesso à informação para pesquisadores da história do livro, disponibilizando recursos on-line, incluindo a base de dados Heritage of the Printed Book – HPB (Patrimônio do Livro Impresso), o CERL Thesaurus, o Material Evidence in Incunabula e a página Provenance Information (Informação de Proveniência).

Ficamos imensamente gratos pelo reconhecimento do nosso trabalho!

Participação nos Encontros On-line Acervos Especiais/UFMG

Dia 11 de novembro estaremos participando dos Encontros On-line Acervos Especiais, promovidos pela Divisão de Coleções Especiais e Obras Raras do Sistema de Bibliotecas da UFMG.

Tema: Repositórios Digitais e Coleções Especiais

Palestrantes:

– Júlia Rocha – Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal de Minas Gerais

– Marcia Rodrigues – Instituto de Ciências Humanas e da Informação da Universidade Federal do Rio Grande

Link para inscrição: https://forms.gle/YdtcRD96tSTesRRB6

Mais informações sobre os encontros podem ser obtidas em https://cerrado.bu.ufmg.br/bu/index.php/noticiais/1496-comecam-nesta-quarta-feira-os-encontros-on-line-dos-acervos-especiais-deste-mes-de-novembro

Apresentação no ConfOA 2020

Dia 06/10, a partir das 14h30 (horário de Portugal = 10h30 horário de Brasília), estaremos apresentando o trabalho intitulado Desenvolvimento de um Sistema de Armazenamento e Reconhecimento de Marcas de Proveniência em Acervos Bibliográficos, na sessão Pecha Kucha II.

Segue link da programação completa do ConfOA 2020: https://confoa.rcaap.pt/2020/programa

Apresentação do Projeto de Pesquisa em Proveniência e das ações do GEPIM/FURG

No dia 17 de setembro, quinta-feira, a partir das 18 h, estaremos participando de uma live com a Caçadora de Ex-Libris.

Apresentaremos o projeto “SISTEMA DE ARMAZENAMENTO E RECONHECIMENTO DE MARCAS DE PROVENIÊNCIA EM ACERVOS BIBLIOGRÁFICOS”. Apresentadores: Marcia Rodrigues, Alissa Vian e Eduardo Borges.

Vai perder? Anote na agenda!⠀

Acesse o canal do Youtube da Caçadora de Ex-Libris, em: https://www.youtube.com/watch?v=IKcDSQ7GaMc

Sobre proveniência bibliográfica

A proveniência dos acervos bibliográficos é, muitas vezes, negligenciada e, frequentemente, ignorada pelas bibliotecas. Excetuando-se algumas bibliotecas que dispõem de acervos antigos e/ou raros, em geral, esse tipo de informação não é anotado em nenhuma área do registro. No entanto, conhecer a origem dos materiais que compõem os seus acervos pode impactar significativamente o valor cultural, intelectual e histórico de uma determinada obra e/ou coleção.

No campo das Artes, a qualidade da proveniência de uma obra de arte pode fazer uma diferença considerável no seu valor artístico e cultural. Essa qualidade é julgada pelo grau de certeza da origem, pelo status do antigo proprietário enquanto colecionador e pela força das evidências comprobatórias de que tal objeto não é fruto de exploração ilegal . (PROVENANCE, 2020).

A partir do seu desenvolvimento no campo das Artes, a proveniência e a pesquisa de proveniência passaram a ser utilizadas em outros campos do saber, como a Arqueologia, a Arquivologia, a Ciência da Computação e a Biblioteconomia, entre outros, com sentidos semelhantes.

Na Biblioteconomia, os estudos relativos a proveniência, ou procedência, estão relacionados, em geral, à propriedade de exemplares individuais de livros. Da mesma forma, esse tipo de pesquisa está, em geral, associado a um tipo particular de material bibliográfico: o livro raro e/ou antigo.

De maneira simplificada, podemos dizer que a proveniência de uma obra pode ser entendida, portanto, como a história de sua posse e uso, em geral associada a pessoas físicas (colecionadores, proprietários particulares) ou jurídicas (bibliotecas e instituições). 

Referências:

BERMAN, A. Why it matters who owns Arts? In: THE IRIS: behind the scenes at the Getty. Arts & Archive. 2020.

MIRANDA, T. C. P. R. Decifra-me ou devoro-te! O universo das proveniências e suas leituras. In: MARCAS DE PROVENIÊNCIA BIBLIOGRÁFICAS: LOCALIZAR, CLASSIFICAR E DESCREVER, Mafra, 2016. [S.l. : s.n.], 2017. 1 vídeo (39 min.). Publicado pelo canal CIDEHUS.

PROVENANCE. In: WIKIPEDIA: the free encyclopedia. 2020.

 

Pesquisa de proveniência

Pesquisar evidências relativas à proveniência de uma obra/coleção bibliográfica contribui para elucidar a maneira como estes materiais foram usados ao longo da história: como foram lidos, quem foram seus leitores, como se deu a sua circulação enquanto bens de consumo.

Tais evidências, conhecidas como marcas de proveniência, podem mudar os rumos da história, dependendo de seu conteúdo e teor.

O estudo destas marcas possibilita conhecer preferências e modismos que, historicamente, influenciaram bibliotecas e coleções. (LEUNG, 2016). Os estudos de proveniência colaboram, portanto, com os estudos sobre a história do livro, fornecendo evidências sobre o papel que determinados títulos desempenharam na história social, intelectual e literária da humanidade. (PROVENANCE, 2020).

Ainda a respeito da importância dos estudos de proveniência, Poulain (2015, p. 176, trad. nossa), observa o seguinte:

As informações de proveniência são essenciais para entender as coleções da biblioteca. […] No entanto, apesar da preocupação dos responsáveis pelos fundos patrimoniais, infelizmente não é incomum as bibliotecas ignorarem como essa coleção, esse documento, chegou a ela. Como entender essa negligência, enquanto as informações a serem registradas no momento da transmissão são mínimas? Analisadas, elas formam a base da história das coleções e do vínculo da biblioteca com seu tecido social. […] Perdendo a memória da origem dos textos, também se perde a dos homens que a ela se apegam.

Josserand (2016), destaca, ainda, três aspectos sob os quais as informações de proveniência podem ser considerados úteis e relevantes:

a) sob o ponto de vista administrativo, a proveniência fornece informações sobre o status dos documentos que compõem a coleção (informações como modo de aquisição, pessoas e/ou entidades envolvidas neste processo, etc.);

b) sob o ponto de vista da pesquisa, a proveniência é uma ferramenta para múltiplas reflexões, que abre um leque extenso de possibilidades a pesquisadores das mais diversas áreas do conhecimento;

c) sob o ponto de vista das coleções, a proveniência contribui tanto para o conhecimento da história das bibliotecas, podendo ser utilizada como recurso para a promoção destas ao público, como também traz informações de interesse para a proteção e a segurança das coleções.

Em relação à operacionalização da pesquisa de proveniência, observa-se que esta lida com dois tipos básicos de evidências:

1) as evidências internas, nas quais encontram-se incluídas as marcas, inscrições, encadernações, carimbos, selos etc., ou seja, componentes físicos do exemplar;

2) as evidências externas, como os repertórios bibliográficos, catálogos de editores, livreiros, bibliotecas, revendedores e casas de leilão. Estas fontes são importantes para estudos sobre redes e circulação de conhecimento, possibilitando descobrir quem comprou qual livro, quem vendeu qual livro, que livros um pesquisador poderia adquirir na época de publicação do catálogo, quais eram os livros mais vendidos/procurados, entre outras informações. Na pesquisa por evidências externas, observam-se, especialmente, elementos que documentam os locais e condições de fabricação dos exemplares, condições de negociação, proprietários e coleções. (REED, 2010; MUHLSCHLEGEL, 2019).

Referências:

JOSSERAND, C. Les données de provenance des collections des bibliothéques. Mémoire d’étude, janvier 2016. 

LEUNG, C. The journey of books: rare books and manuscripts provenance metadata in a digital age. 2016. Dissertação (Master of Arts in Humanities Computing and Master of Library and Information Studies) – University of Alberta, School of Library and Information Studies, Edmonton, Canadá, 2016. 

MUHLSCHLEGEL, U. Antiquariatskataloge, Auktionskataloge und bibliographische Zeitschriften. In: FACHINFORMATIONSDIENST LATEINAMERIKA, KARIBIK UND LATINO STUDIES. Blog. 2019.

POULAIN, M. De mémoire de livres : des livres spoliés durant la Seconde Guerre mondiale déposés dans les bibliothèques : une histoire à connaître et à honorer. Bulletin des bibliothèques de France,  n. 4, janvier 2015. 

PROVENANCE. In: WIKIPEDIA: the free encyclopedia. 2020.

REED, M. Provenance of rare books. In: BATES, M. J. (Coord.). Encyclopedia of library and information sciences. Boca Raton, FL: CRC Press, 2020. V. 6, Pacific-Sociology, p. 4333-4339.